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sexta-feira, 20 de março de 2009

Vizinhança, sempre uma surpresa

Nenhum vizinho passa ileso por uma reforma. Pode ser o de cima, o debaixo, o vizinho do lado, o síndico (mesmo que ele more a dez andares de distância do seu) algum deles, ou mesmo todos vão sofrer alguma conseqüência da obra no seu apartamento. Por isso, é sempre bom fazer uma políticazinha de vizinhança básica.

Começamos conversando com nossa síndica, uma fofa. Nos apresentamos, explicamos o que pretendíamos fazer no apê, nos informamos sobre as normas do edifício, perguntamos os nomes dos porteiros, essas coisas. Foi assim que descobrimos que a vizinha do apê abaixo do nosso poderia nos trazer alguns problemas. Principalmente porque já rolava um vazamento antigo, nunca solucionado, do nosso cafofo pro dela.

Não demorou muito pro vazamento mostrar o ar de sua graça. Bastou o pedreiro quebrar um pouquinho mais a parede onde se escondia o barbará, pra ele começar a chorar suas lágrimas enferrujadas chão abaixo. Resultado: bolha no teto da vizinha do 504! Aaaaaa!!!

A síndica me ligou desesperada, dizendo que precisava resolver aquilo urgentemente. Como meu pedreiro só apareceria à tarde naquele dia, ela colocou o obreiro do prédio pra consertar a tragédia, que se entendia do 5º ao 7º andar! Ao menos quem pagou foi o condomínio. Afinal, barbará é problema do prédio. Fiquem sabendo!

Mas quem foi que disse que a história com a vizinhança terminava por aí? Semana seguinte foi a vez do mestre de obras nos informar que seria necessário trocar as colunas de água. Entrando nos apês de cima e debaixo. Oi? Quebração nos vizinhos de novo???

E lá fui eu, mais o mestre, bater no 504 pra explicar pra Dona Cândida, que teríamos que fazer uma festinha de poeira na casa dela. Com muita paciência, explicamos pra senhorinha que seria uma quebração chata, mas que resolveria de vez qualquer problema de vazamento futuro. Quem disse que ela gostou da história? Saí de lá com a sensação de que teria muitos problemas na semana seguinte e que seria bom providenciar um bolinho pra presenteá-la. Mais preocupada ainda fiquei, depois que a síndica me contou, que o tal pedreiro que consertou o barbará quase deu queixa da Dona Cândida na delegacia. Como é que é? A mulher é uma bruxa? Xingou até a última geração dele? Maluca? Meda!!! Em compensação, também segundo a síndica, o vizinho do 704 era “muito boa praça”. Menos mal!

Mas, como o próprio título do post sugere, vizinhança é como futebol: uma caixinha de surpresas. A Dona Cândida do 504 se mostrou um amor de pessoa. Adorou os rapazes da nossa obra, levou bolo, água, lanche e o escambal pra eles. Chegou ao ponto de passar no nosso apê pra perguntar sobre o andamento da obra e fazer piadinha com o tamanho de um dos pedreiros. Uma simpatia! Pode?

Por outro lado, o tal do vizinho “boa praça” do andar de cima, quase expulsou a tapas os pedreiros, quando foram lhe explicar que precisariam, mais uma vez, quebrar a dependência deles.

Como a Páscoa está próxima, estamos pensando seriamente em comprar uns ovinhos pra galera dos apês próximos. “Coelhinho da Páscoa passou por aqui e pede desculpas pelo transtorno.” Que sabe assim a gente amança as feras...

Pra terminar o post, uma sequencia de fotos realizada no primeiro dia de obras. Sim! Eu inaugurei a reforma!


A primeira martelada a gente nunca esquece!